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EDIÇÃO 92

Barein, o reino do califa

O pequeno e rico emirado do Golfo Pérsico se prepara para sobreviver à perda de sua maior riqueza: o petróleo

foto: John Martin



Quando os carros da Fórmula Um estiverem correndo em Barein este ano, muita gente vai querer saber mais sobre esse pequeno país tão distante quanto desconhecido que estará se­diando pela primeira vez uma etapa da competição mundial. Pouco maior do que a ilha de São Luís, no Mara­nhão, Barein é formado por 35 ilhas no Golfo Pérsico, a 25 km da Arábia Saudita. Trata-se de um emirado de 706 km2, rico em petróleo, em pérolas e em história, que remonta a 3 mil a.C. As reservas petrolíferas, no entanto, estão acabando, e o país quer se tornar um centro financeiro internacional importante. No passado, Barein era uma rota estratégica de comércio. Achados arqueológicos mostram que ali havia uma sociedade organizada com um movimentado mercado central. Curiosamente, Barein é a maior necrópole do mundo – no território foram encontrados 170 mil túmulos, a maioria de 1.800 a 1.600 a.C. Muitos sítios arqueológicos acabaram destruídos pelo avanço da cidade e dos canos de petróleo. O emi­rado tem uma indústria de pérolas, tradição preservada há milhares de anos, desde quando antigas civilizações da Índia e Pérsia costumavam cole­cioná-las. É uma monarquia constitucional, governada por sua alteza real rei Hamad bin Isa Al Khalifa.

Barein

Nome oficial: Estado de Barein
População: 656.397 (números de 2002)
Capital: Manama
Idioma: árabe (oficial), inglês
Religião: islamismo (xiitas 70%)
Área: 706 km²
Composição demográfica: barenitas (63,6%), estrangeiros de origem asiática (30,3%), outros (6,1%)
Governo: monarquia islâmica (emirado)

A marca dos portugueses

Barein foi dominado por persas, árabes, portugueses e ingleses. Os navegadores portugueses tomaram conta do lugar para proteger as suas lucrativas rotas de comércio com o Oriente. O Forte, que os moradores haviam construído para proteger as ilhas dos invasores, tornou-se o quartel-general dos militares portugueses na região até serem expulsos pelos persas em 1603. Mas manteve o nome de Forte Português.

A árvore da vida

Dá para entender por que uma simples árvore é uma atração turística do emirado. A “árvore da vida” sobrevive há centenas de anos no deserto, a apenas 12 km de Jebel Dukhan, a “montanha de fumaça”, única elevação da ilha principal, que costuma aparecer envolta pela neblina nos dias muito quentes. Alimentada por uma fonte subterrânea desconhecida, a “árvore da vida” fica isolada na amplidão do deserto vazio, intrigando especialistas há séculos.

Cidade do século 21

Manama é uma cidade moderna, centro diplomático e comercial de Barein, tão sofisticada como as outras capitais dos ricos vizinhos produtores de petróleo. Em suas largas avenidas, sucedem-se hotéis cinco estrelas, restaurantes internacionais, arranha-céus e palácios luxuosos. A cidade abriga também a maior parte da população não-muçulmana, incluindo indus, cristão, budistas e judeus.

Tradição e modernidade

A maioria da população de Barein (70%) é xiita, embora
a família real seja de origem sunita – como ocorre na vizinha Arábia Saudita. Essa diferença já provocou protestos no passado, principalmente em 1979, ano da revolução liderada pelo aiatolá Khomeini no Irã. Assim, embora nas grandes cidades predomine um estilo de vida mais liberal, nas áreas rurais, a tradição e o conservadorismo islâmico se mantêm. As mulheres se cobrem da cabeças aos pés com a vestimenta preta que pouco deixa ver suas feições.

O fim do petróleo

Barein foi o primeiro país do Oriente Médio a descobrir petróleo por volta de 1930. O Poço Número 1 ainda existe e tornou-se um destino turístico. Mas as reservas de óleo e gás, outrora abundantes, estão aos poucos desaparecendo. Hoje, Barein é o menor produtor da região embora seja vizinho da Arábia Saudita.

Fauna exótica

Uma das atrações do pequeno arquipélago é o Al Areen Wildlife Park & Nature Reserve, uma área de preservação ecológica criada pela família real em 1975 para abrigar espécies do mundo todo. O parque de 8 km2 possui cerca de 100 mil plantas, além de mais de 500 animais, entre eles, gazelas, impalas, zebras, avestruzes, ônix e aves. É considerado um modelo de conservação ambiental na região.

Povo de comerciantes

Os mercados barenitas estão sempre cheios e é possível encontrar de tudo. Os ambulantes se alinham nas ruas estreitas de BabAl Barein, o maior de Manama. Lá são vendidas verduras frescas, carne, eletrônicos, roupas, especiarias e até jóias em ouro e prata. É também forte a tradição do artesanato local, principalmente as cestas feitas de palha.

Publicado em 22/12/2008


 
 
 
 
 
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