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Os povos indígenas

Não é só de flora e fauna que a floresta amazônica é feita. A riqueza da região também é cultural

foto: Paulo Santos
Apesar da união de muitas etnias, o risco de extinção é eminente

A maior parte das terras indígenas brasileiras está na região, onde moram aproximadamente 200 mil índios. A área concentra a grande maioria das 180 línguas indígenas faladas por 206 etnias no Brasil. Estes idiomas representam metade de todos os empregados por populações indígenas nas Américas, embora viva no Brasil no máximo 1% do total de índios do continente. Os números revelam também o grau de fragilidade destas culturas: além de 80 etnias terem desaparecido só nos últimos 100 anos, das 206 sobreviventes, 110 contam com meonos de 400 indivíduos falantes de sua língua.

A população indígena da Amazônia consiste hoje do que restou de um número que se aproximava dos seis milhões, em 1500, antes da chegada dos europeus. Desde então, os índios na região têm diminuído de forma drástica, especialmente no século 20. Existiam 230 grupos tribais na Amazônia brasileira em 1900. Em 1947, só sobraram 143. Embora a população de muitas tribos tenha se estabilizado, várias correm risco de extinção. Os Uru Eu Wau Wau de Rondônia, por exemplo, foram reduzidos à metade desde o primeiro contato com o homem branco em 1981. O número dos Waimiri-Atroari, da Amazônia central brasileira, diminuiu de 3.500 para 374 entre 1974 e 1986, tendo um leve aumento de população nos últimos cinco anos. Em pleno ano 2000, 3% da população Araweté morreu em consequência de um surto de catapora, enquanto outros 12 povos encontram-se na linha vermeha de extinção demográfica, indicador usado para exprimir o risco iminente de desaparecimento completo de uma etnia.

Muitas tribos foram aniquiladas, outras foram escravizadas, algumas sofreram com as doenças introduzidas na região, como tuberculose, gripe, doenças venéreas, catapora e sarampo.

As populações pré-1500 eram mais densas ao longo do rio Amazonas. Tribos como os Omagua e Tapajós eram muito adaptadas ao local. Durante a estação seca cultivavam milho e mandioca e também pescavam. O peixe era seco e preservado em óleo de ovos de tartaruga. Com os mantimentos guardados na estação seca, era possível sobreviver na época de cheias. No entanto, como os colonizadores da região também preferiam as áreas ao longo do rio, esses grupos logo foram extintos.

As tribos indígenas possuem um conhecimento sofisticado dos ecossistemas e sobre a agricultura. Várias espécies, alimentícias ou não, que ainda são usadas hoje, foram domesticadas pelas populações da Amazônia. Vivendo tanto na região de florestas alagadas como na terra firme, os índios conhecem e utilizam uma grande variedade de plantas, como tubérculos, bulbos, sementes, frutas, castanhas e outros produtos vegetais. Das sementes de urucum e jenipapo retiram a matéria-prima para pintura do corpo; usando exclusivamente a casca do jatobá, os índios do Xingu constroem duas canoas, depois que a casca é pacientemente despregada do tronco; com a fibra vegetal do arumã tecem balaios, peneiras e jarros de esmero e funções indisensáveis para o processamento da mandioca. A vegetação também fornece venenos para a caça, além de produtos medicinais e drogas utilizadas na cura de doenças e nos rituais religiosos.

Foram os Sateré-mawé, por exemplo, a primeira tribo a descobrir empiricamente as virtudes fuitoterápicas do guaraná.

Considerados os guardiões das terras ancestrais de onde a planta é nativa, desenvolveram as formas ritualizadas de produção, como a coleta e transplante das mudas, os cuidados especiais da torrefação em forno de barro, o uso do fogo de lenha aromática, entre outras técnicas.


Os índios de hoje

As tribos que restaram vivem, em sua maioria, nas partes mais remotas da Amazônia, longe das margens dos rios. o maior grupo de índios que ainda permanecem próximos ao rio Amazonas são os índios Tikuna, que vivem na região de fronteira do Peru, Colômbia e Brasil.

Muitas tribos ficam em grandes reservas indígenas, das quais a mais conhecida é o Parque Nacional do Xingu, ao norte do Mato Grosso. As terras indígenas atuais representam quase 20% da área total da Amazônia Legal Brasileira, sendo que as reservas biológicas compreendem somente 4% deste total. Já o tradicional conflito entre terras indígenas e unidades de copnservação, aparece hoje em 117.724 km² desses dois tipos de terras sobrepostas. Só em 18 de junho de 2000 criou-se a lei que prevê o gerenciamento das unidades de conservação de acordo com políticas indigenistas e ambientais, garantindo-se a sobrevivência física e cultural das comunidades que habitam essas áreas, caso do Pico da Neblina ou do Cabo orange.



Conteúdo retirado do Guia Amazônia - Brasil da Editora Horizonte.

Publicado em 21/10/2008


 
 
 
 
 
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