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Os animais da Amazônia

A biodiversidade da Amazônia é incomparável. Boa parte dos seres que lá habitam são originais da região

foto: Leonide Príncipe
Uacari: endêmico da região amazônica, também conhecido como macaco-inglês

A Amazônia abriga uma riqueza de fauna sem paralelo: não há outro lugar do mundo que tenha tamanha variedade de peixes, aves, primatas e insetos como esta floresta. Novas espécies de animais são descobertas com freqüência e estima-se que muitas ainda são ignoradas pelo homem. A interdepen­dência entre a fauna e a flora na região é muito estreita: a destruição de uma espécie implica em colocar muitas outras em risco.


Mamíferos

A Amazônia possui mais de 300 espécies de mamíferos, das quais 64 são endêmicas da região. Os grupos mais diversificados são os roedores, morcegos e macacos. Dos grandes mamíferos aquáticos, a Amazônia abriga duas espécies de golfinhos, uma de peixe-boi e pelo menos duas outras de lontras. Os mamíferos são os animais mais difíceis de serem avistados na floresta, já que a maioria tem hábitos noturnos e, os que podem ser observados de dia, normalmente fogem de qualquer barulho humano. Pegadas, fezes e sons normalmente são os indicadores da presença destes animais.

Algumas espécies estão ameaçadas de extinção, em função da degradação do hábitat e da caça predatória, como a onça-pintada e o peixe-boi. Aves A mais rica concentração de espécies de aves no mundo ocorre nas terras baixas amazônicas: estima-se que mais de mil espécies habitam a área. O número é maior se outras áreas de abrangência da Amazônia nos países vizinhos forem acrescentadas. Estudos demonstraram que, em algumas áreas da Amazônia ocidental, mais de quinhentas espécies de aves podem ser registradas em poucos quilômetros quadrados.

Observação de aves

Observar aves pode ser uma tarefa frustrante na Amazônia: a maior parte é mais escutada do que vista e, se visualizada, normalmente as pobres condições de luz impedem o seu reconhecimento. Apesar disso, se o visitante ficar bastante tempo e realmente tiver interesse na atividade, é possível observar deslocamentos, hábitos alimentares e espécies raras. Algumas agências, em Manaus, oferecem programas de observação (veja em serviços).

Peixes

Os únicos sistemas na terra com uma diversidade de peixes comparável à da bacia Amazônica são os oceanos. O índice de novas descobertas de espécies a cada ano indica que deve haver ao redor de três mil espécies de peixes nos rios e lagos amazônicos. Em muitos rios, a quantidade de minerais na água é tão pequena que os peixes dependem quase que exclusivamente dos alimentos produzidos na floresta dos arredores. É na época das cheias, quando os rios transbordam e preenchem a floresta ao redor, que os peixes encontram a maior parte de sua alimentação.

Espécies que comem frutas, como o tambaqui, movem-se pelos principais cursos d’água, entre os galhos das árvores que antes forneciam alimentos para pássaros e mamíferos, para esperar as frutas que caem. O tambaqui tem dentes semelhantes aos molares humanos que, unidos à força dos músculos da cabeça, podem quebrar sementes de seringueira e de outras árvores. Ao mordê-las, eles prejudicam o processo de dispersão das sementes grandes, mas são agentes importantes na multiplicação das árvores com sementes pequenas, já que elas passam intactas pelo seu sistema digestivo.

Há espécies carnívoras, também, como o tucunaré. Os peixes são extremamente dependentes das florestas inundadas, suas maiores fornecedoras de alimento. A manutenção da diversidade das espécies, portanto, está diretamente relacionada à conservação dessas áreas.

Migração

Centenas de espécies de peixes amazônicos realizam migrações sazonais. Elas podem ser longitudinais, ao longo dos grandes rios, ou laterais, em direção aos lagos. Os motivos das migrações podem variar de acordo com a espécie, fase da vida e época do ano: enquanto algumas migram para se reproduzir, outras se deslocam para áreas mais abundantes em alimento. Algumas populações de grandes bagres migram por mais de 3.000 km ao longo do rio Amazonas, em trajetos que podem durar até seis meses.

Piranhas

A fúria das piranhas tem sido muito exagerada. Não há dúvida que várias espécies, quando submetidas a certas condições, são capazes de matar mamíferos de grande porte, mas a maior parte delas, em geral, é inofensiva. O comportamento das espécies predatórias parece depender diretamente de seu hábitat. Nos canais principais dos rios e lagos da Amazônia, as piranhas normalmente não molestam os nadadores. No entanto, quando ficam presas em pequenas lagoas isoladas, na época da seca, com pouco alimento disponível, podem ser perigosas. A piranha-preta é a maior delas, mas a que tem a pior reputação é a piranha-vermelha. Várias outras espécies, porém, são inofensivas: alimentam-se das nadadeiras de outros peixes, frutas, sementes, folhas e insetos.

Insetos

Estima-se que dezenas de milhões de espécies existam na Amazônia. Cerca de 80% da biomassa da fauna amazônica é representada por insetos. Acredita-se que um terço seja composto por formigas e cupins: cada 10.000 m2 de terreno florestal seria ocupado por oito milhões de formigas e um milhão de cupins. Em algumas áreas florestadas, o solo é coberto por um tapete vivo de insetos e ácaros. Pesquisadores atribuem a diversidade e abundância de insetos à diversidade e abundância de plantas. Nesse sentido, os insetos na Amazônia dispõem de condições excelentes para uma diversificação evolutiva, ocupando muitos nichos e desempenhando diferentes papéis ecológicos. Insetos herbívoros são, em geral, muito especializados e exploram diversas espécies de plantas, nas quais suas folhas, flores e caules são alimentos em potencial. As plantas, para se protegerem dos insetos, defendem-se com espinhos, pêlos, resinas e substâncias venenosas. Apesar dessa aparência conflituosa, muitas espécies de insetos mantêm relações amigáveis com as plantas, ajudando na polinização, dispersão de sementes e proteção de algumas espécies.

Anfíbios

A bacia amazônica, com sua alta umidade e temperaturas elevadas durante quase todo o ano, fornece condições excelentes para anfíbios, cuja temperatura corporal depende diretamente do ambiente ao redor e a pele não é bem protegida contra perda de água. Os sapos são os anfíbios mais abundantes na bacia: mais de trezentas espécies ocorrem na Amazônia e novas espécies são descritas a cada ano. Com uma densidade de mais de 80 espécies de sapos em um espaço de poucos quilômetros quadrados, a Amazônia ocidental tem a mais rica fauna destes animais no mundo.

Sapos

Algumas espécies que merecem destaque na bacia são os sapos venenosos da família Dendrobatidae e as pererecas arborí­colas da família Hylidae. Os sapos venenosos são usados para envenenar dardos de caça por índios colombianos. A perereca Phyllomedusa bicolor é chamada de “campu” pelos índios do vale do Javari, que usam sua substância tóxica para combater a preguiça e o azar na caça, chamado por eles de panema.

Répteis

Existem aproximadamente 300 espécies de répteis na floresta amazônica e o grupo mais representativo é o das serpentes, seguido pelos lagartos, tartarugas e jacarés. As florestas de terra firme são o hábitat da maioria desses animais. No entanto, é nos rios e lagos que estão as espécies mais procuradas pelos caçadores, como o jacaretinga, o jacaré-açu e a tartaruga-da-amazônia. Conteúdo retirado do Guia Amazônia - Brasil da Editora Horizonte.

Publicado em 21/10/2008


 
 
 
 
 
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