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Os diferentes tipos de vegetação

Terras firmes e alagadiças compõem a riqueza amazônica

foto: Igor Pessoa
Os babaçuais, que compõem pelo menos 12% das florestas de terra firme da Amazônia, são um dos tipos de matas antropogênicas, ricos em materiais de construção

A floresta amazônica é normalmente relacionada a um ambiente vasto, imutável e uniforme. Sua composição, no entanto, varia significativamente e muitos ecossistemas, com vegetação, relevo e fauna específicos, compõem o conjunto da floresta. De uma maneira geral, os principais ecossistemas podem ser divididos em ambientes de terra firme e ambientes inundados pelas cheias dos rios. Estes ecossistemas, no entanto, são um mosaico com inúmeras variações, tais como as várzeas, igapós, campinaranas, cerrados e campos. Praias marinhas, como as do litoral do Pará e Amapá, e mangues também compõem a diversidade da floresta.

Florestas de terra firme

São matas fora da influência dos rios, que nunca sofrem inundações e cobrem 90% da bacia amazônica. Estão localizadas em planaltos pouco elevados, de 60 a 200 m, firmadas em solos profundos, até 50 m, e bem drenados. Em geral não existe dominância nítida de uma espécie vegetal sobre as demais e a altura média das árvores é de 40 m. Um grande número de madeiras nobres, como o mogno, o cedro e os louros, é encontrado nessas matas.

No interior das matas de terra firme, dependendo da quantidade de luz que chega ao solo, pode existir uma maior ou menor quantidade de plantas arbustivas, palmeiras, ervas e cipós. A idade máxima das árvores varia bastante. Recentemente, foram datadas espécies com mais de mil anos neste tipo de ambiente. A morte das árvores pode ser causada pelo alcance da idade máxima, por falta de luz, ataques de fungos e insetos e pela presença de uma grande quantidade de cipós e hemiepífitas, plantas que matam por estrangulamento. Muitas das espécies, no entanto, desenvolveram sistemas de defesa a estas ameaças e conseguem, por exemplo, renovar os troncos comidos por insetos.

A luz desempenha um papel muito importante no desenvolvimento das árvores: às vezes alguns indivíduos têm o crescimento totalmente interrompido em função da falta de iluminação. Assim, clareiras nas florestas favorecem o crescimento de exemplares como a castanheira. Em matas densas e sem luz é muito difícil encontrar unidades jovens desta espécie.

Riqueza biológica

As florestas de terra firme são os ecossistemas terrestres mais ricos em diversidade de espécies no planeta. Tal riqueza biológica resulta da união de fatores como o clima, luz, água abundante e temperaturas amenas que, juntos, propiciam boas condições para o crescimento das plantas. Em ambientes com baixas temperaturas e pouca água, como nas florestas temperadas, a diversidade de espécies é bem menor. A diversificação de hábitats, provocada por variações de solo, topografia e padrões de chuva, também favorece a adaptação de diferentes espécies.

Acredita-se que outros fatores que influenciaram a riqueza biológica da região foram as mudanças climáticas que ocorreram durante o Pleistoceno, entre dois milhões e 20 mil anos atrás. Elas provocaram a expansão e a contração da floresta e dos cerrados, o que isolou populações que anteriormente viviam no mesmo ambiente e propiciou a evolução de espécies distintas. Outros eventos geológicos do passado, como a formação e o desaparecimento de grandes lagos, também isolaram frações de população e resultaram na evolução de espécies diferentes da população original. O grande número de interações entre plantas e animais promoveu a adaptação de flores e frutos a diferentes agentes polinizadores e dispersores de sementes e estas inte­rações também auxiliaram na diversificação da família das espécies.

Outros tipos de vegetação

A continuidade espacial das florestas de terra firme é interrompida por áreas abertas, como os cerrados, campinas e campos inundáveis. Apesar destas áreas parecerem pequenas em comparação à área da floresta, ainda são tão grandes como o Uruguai ou metade da Alemanha. As maiores áreas abertas da Amazônia estão localizadas no nordeste da ilha de Marajó, em regiões próximas à costa atlântica do Amapá, acima do rio Trombetas e em Roraima. Abaixo do rio Amazonas há pequenas áreas, como os cerrados de Humaitá e do baixo rio Purus e os campos nos arredores da Serra do Ca­chim­bo. No total, as regiões abertas cobrem cerca de 100.000 a 150.000 km2, entre 3 e 4% da Amazônia brasileira.

Os cerrados são formados por uma vegetação predominantemente baixa, com poucas árvores de troncos retorcidos, recurvados e de folhas grossas, esparsas em meio a uma vegetação rala e rasteira. As campinas são vegetações baixas, com poucos arbustos, sustentadas em solos muito arenosos. A campinarana é um tipo de vegetação arbórea, de transição entre campina e terra firme, rica em bromélias e orquídeas epifíticas. Os campos inundados são áreas abertas ao redor de rios que ficam inundadas periódica ou permanentemente. Os mangues não são necessariamente áreas abertas e ocupam um espaço muito reduzido na região. Eles estão localizados em um corredor litorâneo estreito, sujeito a inundações de água salobra na costa da ilha de Maracá e o rio Oiapoque.


Matas inundadas

O sistema do rio Amazonas é caracterizado por florestas altamente adaptadas a sobreviver por longos períodos de submersão. Alguns rios têm seu nível elevado em 15 m em algumas épocas do ano e a água cobre grandes áreas de florestas por até oito meses. As florestas inundadas são chamadas de igapós nos sistemas de água preta pobres em nutrientes e várzeas nos sistemas de água branca, ricos em nutrientes.

Os dois tipos de floresta têm os mesmos desafios para manterem-se vivas nas épocas de cheia, quando a água chega a cobrir árvores inteiras. Para prevenir saturações por água, os troncos em geral são envoltos por camadas espessas de cortiça, as folhas são cobertas por cutículas que as impermeabilizam e, em algumas espécies, as raízes são aéreas, o que assegura o suprimento de oxigênio. Quando a copa é submersa, o metabolismo da árvore diminui, mas as folhas permanecem ali e passam a funcionar normalmente logo que o nível da água baixa.

Os ecossistemas de matas inundadas são um dos ambientes ecológicos mais importantes da Amazônia, em função do abrigo e nutrição que oferecem a centenas de espécies, como peixes e aves. Como é mais fácil retirar e transportar toras das áreas inundadas, já que elas ficam aparentes quando o nível da água baixa, essas matas sofrem maior impacto, o que prejudica o equilíbrio da cadeia alimentar.


Matas antropogênicas

Compõem pelo menos 12% das florestas de terra firme na Amazônia brasileira e refletem o uso intensivo e o manejo feito por populações no passado. As sociedades indígenas modificaram o meio ambiente amazônico, criando condições favoráveis à predominância de algumas espécies vegetais em algumas regiões, como os castanhais, as florestas de bambu e as florestas com dominância de palmeiras. Estas matas têm uma concentração de recursos como alimento (babaçu), frutos atraentes para caça (como o tucumã, cujas frutas atraem antas e cutias), materiais de construção (babaçu), medicamentos, materiais para implementos (bambu), repelentes de insetos e lenha.



Conteúdo retirado do Guia Amazônia - Brasil da Editora Horizonte.

Publicado em 21/10/2008


 
 
 
 
 
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