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Terra das águas

Com sua nascente no Peru, a bacia da Amazônia possui o maior volume de água do planeta

foto: Zig Koch
As águas escuras do rio Negro

A bacia amazônica é o sistema fluvial de maior volume de água da Terra: drena mais de sete milhões de quilômetros quadrados, uma área maior que a Europa, e escoa um quinto da água doce despejada nos oceanos do planeta anualmente. A nascente do rio Amazonas é no Peru e ele recebe muitos nomes até tornar-se Solimões no Brasil e, perto de Manaus, unir-se ao rio Negro para juntos formarem o Amazonas, que leva este nome nos últimos 1.600 km, até o oceano Atlântico.

A extensão do Amazonas é de 6.515 km e sua vazão é de 160.000 a 200.000 m3 de água por segundo, número que varia de acordo com a estação. A força do rio é tamanha que suas águas podem ser identificadas a olho nu até 100 km de distância da costa brasileira no oceano Atlântico. Foi assim que o Amazonas foi identificado no século 15 pelo espanhol Vicente Yanez Pinzon, que o chamou de Mar Dulce. Embora não seja o rio mais longo da terra (o Nilo detém o título), ele é, sem questionamento, o rio com o maior volume. Sua profundidade, em geral, varia entre 40 a 50 m, porém, no estreito de Óbidos e na região do baixo rio Negro, ela atinge 100 m. Da nascente até o rio Tambo, no Peru, o Amazonas tem uma queda de altitude de 4.450 m e, do Tambo até o Atlântico, a altitude só diminui 194 m.

Chuvas em épocas diferentes trazem mudanças grandes, mas previsíveis, no nível do rio: em algumas regiões, chega a ser 15 m mais alto na época das cheias. A variação da maré também tem um papel muito importante no rio Amazonas: até 400 km da foz no oceano Atlântico, é possível identificar marés altas e baixas.

A maior parte das pessoas associa o Amazonas ao rio de terras baixas, cercado por floresta tropical, no Brasil, cujos aspectos geográficos e humanos são totalmente diferentes dos primeiros 990 km que percorre, ainda no Peru, em uma área de altitude muito elevada. A parte alta do rio, que recebe muitos outros nomes antes de tornar-se Amazonas, perto de Manaus, tem o clima frio dos Andes e neve cai freqüentemente.

Os afluentes do Amazonas

O rio Amazonas corre em uma linha razoavelmente reta do Peru até o Atlântico. Sua bacia abriga mais de mil afluentes que mudam de curso várias vezes. O mais longo é o Madeira-Mamoré, que corta os Estados do Amazonas e Rondônia, com 3.200 km. No sistema de rios da bacia amazônica, várias denominações são dadas às diferentes formas que os cursos de água se apresentam: os furos, ou paranás, são pequenos canais que ligam um rio ao outro, os igarapés são os pequenos riachos que entrecortam o relevo e os lagos se formam quando o rio entra em uma porção de terra mais baixa e alargada, ou quando suas águas ficam isoladas.

Os diferentes tipos de água

Uma das peculiaridades da bacia do rio Amazonas é a diversidade dos tipos de água que formam seus rios: águas brancas, pretas e claras. Cada uma delas tem características que refletem na flora, fauna e nos aspectos da colonização humana na região em que estão localizadas.

Rios de água branca: Originam-se nos Andes, uma região geológica muito recente, ainda sujeita a erosões. As rochas andinas desagregam-se com muita facilidade e suas partículas são dissolvidas e carregadas pelas chuvas para os rios que, em função disso, transportam uma grande quantidade de sólidos suspensos. O cálcio e o magnésio, exemplos desses sólidos, conferem uma aparência lamacenta à água. Esses rios contêm bastante material orgânico em suspensão, o que faz com que seu pH varie entre 6,2 e 7,2 (levemente alcalino ou neutro). Na bacia amazônica, os rios Solimões, Amazonas, Madeira e Branco são exemplos de rios de água branca.

Rios de água preta: Nascem em geral no escudo das Guianas ao Norte do Brasil, uma das regiões mais antigas do planeta. Em função disto, seus terrenos não se decompõem facilmente e os rios não carregam uma grande quantidade de sedimentos suspensos. As águas pretas têm elevado grau de acidez, com pH variando entre 3,8 e 4,9, devido à grande quantidade de ácidos húmicos - os quais lhes conferem a cor de chá preto - provenientes da decomposição da matéria orgânica. Estes tipos de rios drenam solos arenosos e o rio Negro é o principal exemplo na bacia amazônica.

Rios de água clara: Têm sua nascente no escudo do Brasil Central, uma região também antiga e com índices menores de erosão. Semelhantes aos rios de água preta, não possuem muitas partículas em suspensão. Suas águas são cristalinas e quimicamente mais diversificadas, podendo variar de ácidas a levemente alcalinas (pH entre 4,5 e 7,8). Os maiores exemplos de rios de água clara na bacia amazônica são o Tapajós e Xingu. Há regiões em que estes tipos de água se misturam ou são modificados em decorrência das épocas de chuvas. Geralmente, quanto maior a quantidade de chuvas, maior a erosão e a quantidade de material suspenso transportado pelas águas.



Conteúdo retirado do Guia Amazônia - Brasil da Editora Horizonte.

Publicado em 21/10/2008


 
 
 
 
 
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