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Água do rio Doce continua contaminada

Relatório da SOS Mata Atlântica revela que, após mais de um ano do desastre, bacia continua imprópria para uso humano

foto: Caê Taborda/SOS Mata Atlântica
Para as análises no rio Doce, em virtude das especificidades do dano provocado pelo rompimento da barragem de rejeito de minérios, em novembro de 2015, foram utilizados sondas e equipamentos específicos para as coletas realizadas em campo e amostras analisadas em laboratório (Imagem: Cauê Taborda/SOS Mata Atlântica)

Um ano e quatro meses nos separam do maior desastre ambiental brasileiro. Na época, o mar de lama chocou todo o país e as compensações eram pedidas mundialmente.

A Fundação SOS Mata Atlântica realizou uma segunda expedição para avaliar a qualidade da água da bacia do Rio Doce. E constatou que a água segue em desconformidade com os padrões da legislação vigente e, portanto, imprópria para consumo humano e usos múltiplos.

“O mais grave desse retorno à bacia do Rio Doce foi constatar que, em primeiro lugar, a contaminação não cessou. Além disso, passados 12 meses ainda há arrasto de sedimentos por toda a bacia. E notamos como a presença de vegetação nativa protege a água, pois nos trechos onde existe remanescente de Mata Atlântica, nas áreas protegidas que não foram arrastadas pela lama, três pontos se recuperaram”, comenta Malu Ribeiro, coordenadora de Águas da SOS Mata Atlântica.

A viagem para a análise percorreu 650 quilômetros, ao longo dos rios Gualaxo do Norte, Piranga e Carmo, que formam o rio Doce e banham 29 municípios e distritos dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. De acordo com o relatório, apenas quatro dos dezessete pontos de coleta apresentaram sinais de recuperação. Sendo três com qualidade regular e apenas um único ponto isolado como ótimo. Essa condição está associada à grave seca que atingiu a região e que isolou, entre bancos de areia, trechos do assoreado rio Doce, que deixaram de receber o arrasto continuado de lama e rejeito de minério. 

A SOS Mata Atlântica alerta ainda para o fato de que as fontes de contaminação das águas não cessaram e que o despejo de rejeito de minério na região da cabeceira da bacia mantém os rios mortos e apresentando riscos à saúde humana, dos animais e ecossistemas. 

A expedição deu origem à publicação “Rio Doce: O retrato da qualidade da água”, que pode ser lida na íntegra, ou baixada, no site da SOS Mata Atlântica.

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Publicado em 14/03/2017


 
 
 
 
 
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