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Cresce o desmatamento na Amazônia

Bioma enfrenta o maior índice dos últimos oito anos

foto: Ibama
Acreditava-se que o desmatamento seria algo próximo a 7.000 km², porém, para a surpresa de todos, dado final chegou a quase 8.000 km² (Imagem: Ibama/Reprodução)

Pelo segundo ano consecutivo, Amazônia apresenta aumento na taxa de devastação do bioma e tem a 7.989 quilômetros (km²) de devastação, em 12 meses, 29% a mais que no mesmo período de 2015, que, por sua vez, já havia sido 24% maior que no ano anterior.

Desde 2008, ano em que o governo aumentou os cuidados com as florestas, este é o maior pico de velocidade do desmatamento. É também, junto com 2013, o maior aumento percentual desde 2001. A área de Amazônia que se perdeu no último ano equivale a 5,3 vezes a cidade de São Paulo, e, somente nesta década a Amazônia perdeu o equivalente a meio Panamá.

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Taxa de desmatamento na Amazônia do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

O Pará encabeça a lista de estados desmatadores, e corresponde a 40% da área de floresta perdida – algo equivalente a duas cidades de São Paulo – entre agosto de 2015 e julho de 2016 (período em que é medido o desmatamento). Mato Grosso, o segundo colocado, devastou 1.508 km² de florestas – uma queda de 6% em relação ao ano anterior.

Esta degradação do bioma terá efeitos diretos sobre as metas brasileiras contra as mudanças climáticas. Segundo Tasso Azevedo, coordenador do SEEG (Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima), o desmatamento deste ano acrescenta 130 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente às emissões do Brasil. “É o mesmo que o Estado de São Paulo, o mais populoso do país, emitiu em todo o ano de 2015, ou duas vezes a emissão anual de Portugal”, compara Azevedo.

Outro ponto levantado por Azevedo é o compromisso lançado pelo Brasil, em 2009, onde se propôs a reduzir o desmatamento na Amazônia em 80% até 2020, e que a alta dos últimos anos fazem com que o país se distancie do objetivo. “O número deste ano é duas vezes maior que a meta assumida para 2020, que é de 3.925 quilômetros quadrados”, prossegue o coordenador do SEEG.

Segundo o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, “uma série de elementos” influenciaram diretamente para este cenário: “Tivemos problemas de gestão, uma transição de governo e a repercussão de três anos de mudança no Código Florestal”, afirmou.

Para tentar conter o desmatamento, o Ministério do Meio Ambiente anunciou nesta terça-feira (29) a interface pública do CAR (Cadastro Ambiental Rural), instrumento que permitirá o monitoramento das áreas de vegetação nativa que se encontram em propriedades particulares. 

Por meio do CAR, qualquer cidadão saberá a situação do desmatamento em mais de 3 milhões de propriedades rurais do país. “Além de um instrumento de desenvolvimento, o CAR é um instrumento de monitoramento. Vai servir muito bem para o controle social do desmatamento”, conclui Sarney Filho.

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Publicado em 30/11/2016


 
 
 
 
 
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