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COP 22 reafirma Acordo de Paris

Convenção cumpre com seu objetivo e nações precisam trabalhar

foto: Youseff Boudlal/Reuters
Ambientalistas estenderam a faixa "nós seguiremos adiante", durante as plenárias da COP 22 (Imagem: Youseff Boudlal/Reuters)

Terminou na última sexta-feira (18/11), em Marrakesh, a 22ª Conferência da ONU para Mudanças do Clima (COP 22), com a reafirmação dos esforços globais definidos no Acordo de Paris. Além da validação dos objetivos estipulados em 2015, algumas nações estabeleceram novas metas, mais ambiciosas, em relação a suas NDCs (os compromissos assumidos na capital francesa em dezembro passado). A Proclamação de Marrakesh, contém ações e datas chaves para a implementação do Acordo nos próximos anos e dá o embasamento necessário para a redução das emissões de gases do efeito estufa e descarbonização da economia global.

O governo brasileiro, representado pelo ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, afirmou pela primeira vez em negociações o compromisso em estagnar em 1,5 °C, até 2100, o aumento da temperatura global. “A declaração do Brasil na plenária sobre os esforços por 1,5 °C indica que nosso país tem condições de fazer sua transição para uma economia baseada na descarbonização ao longo do tempo, podendo ir além do compromisso estabelecido originalmente em nossas metas de Paris”, ressaltou Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima.

Pelo lado agro, o Brasil foi representado por Blairo Maggi, ministro da Agricultura, que, mesmo reforçando a necessidade de investimento e financiamento para implementação das metas do setor, não fez muito sucesso na conferência. Maggi questionou os esforços nacionais de conservação de florestas e as reservas legais definidas no Código Florestal. “Imagine um hotel que tenha 100 quartos, mas que só possa comercializar 20 unidades. As outras 80 ele tem que manter fechadas”, comentou o ministro ao se referir às propriedades rurais existentes na Amazônia, que precisam ter 80% de área preservada. Segundo o ministro, “outros grandes produtores de alimentos como Estados Unidos, Argentina e Canadá não possuem reservas legais como nós, mas isso não nos traz vantagens”. Porém ele mesmo questionou sua posição, sem perceber, ao dizer que as mudanças climáticas são algo “comprovado cientificamente e um grande risco para a produção de alimentos no país. As mudanças de temperatura estão quebrando safras como eu nunca vi antes. Como meus filhos e netos vão fazer agricultura nesse clima?”.

“A maior parte de nossos compromissos da NDC está ancorada no uso da terra, que envolve a economia florestal, a agropecuária e o fim do desmatamento ilegal”, observa João Adrien, diretor executivo da Sociedade Rural Brasileira (SRB). “O setor florestal tem um papel importantíssimo na construção de uma economia de baixo carbono e potencial para a criação de um novo modelo de desenvolvimento com prosperidade e sustentabilidade. Para isso, é importante criar mecanismos e meios de implementação adequados, no Brasil e em nível internacional”, completa Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).

Apesar das incertezas causadas pelas eleições estadunidenses, a maioria das nações reafirmou a determinação em frear as mudanças climáticas. A conferência de Marrakesh foi marcada por negociações técnicas para a regulamentação e concretização do Acordo de Paris.

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Publicado em 21/11/2016


 
 
 
 
 
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