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EDIÇÃO 160

A Mata Atlântica paulista resiste

Reserva privada no Vale do Ribeira (SP) busca novas formas de desenvolvimento sustentável, mantendo a floresta em pé

foto: Luciano Candisani/Legado das Águas
O Rio Juquiá compõe a paisagem exuberante e protegida do Legado das Águas (Foto: Luciano Candisani/Legado das Águas)

O frescor das árvores entra pelos poros; o calor escaldante na estrada é logo esquecido. A cada passo, uma suave penumbra se amplia e o caminhar se torna mais lento, até a vista se acostumar. A respiração se acalma, envolvida com os aromas agridoces. Os sentidos ficam aguçados no interior da floresta, onde pequenos ramos estalam sob os pés conforme se avança na trilha, ao som de ruídos desconhecidos.

Pios e cantos de pássaros, pequenos zumbidos, um inesperado coaxar, folhas que se agitam bem ao seu lado fazem imaginar que tipo de animal se movimentou ali. A experiência do contato direto com uma floresta praticamente intocada é algo muito raro hoje em dia. Quem a vive, jamais esquece. “O que mais me emociona é ver a reação intensa dos que visitam nossa área”, conta a bióloga Frineia Rezende, gerente de sustentabilidade e responsável pela gestão da maior reserva privada de Mata Atlântica do país, o Legado das Águas – Reserva Votorantim.

Curiosamente, o espaço não fica isolado, a uma longa distância de qualquer cidade. Ao contrário, a grande extensão de matas protegidas está a apenas duas horas da capital paulista, ao sul do estado, no Vale do Ribeira. Contudo, esta proximidade não impede que adentrá-la convide a uma conexão com o ambiente natural. São aproximadamente 31 mil hectares de exuberante fauna e flora, irrigada por rios, riachos e cachoeiras, refúgio de espécies raras e sob risco de extinção. Imagine mais de 31 mil campos de futebol um ao lado do outro, com vegetação densa, incluindo árvores de 100 a 200 anos que escaparam do desmatamento e da substituição por cultivos, como o de bananas, típico na região. Seu destino foi traçado quando Antônio Ermírio de Moraes, então presidente da Votorantim, decidiu comprar áreas para proteger nascentes e o Rio Juquiá e produzir energia para sua indústria de alumínio, no início dos anos 1950. O movimento que, aparentemente, se contrapunha à natureza com a construção de pequenas hidrelétricas no Rio Juquiá, se revelou, com o tempo, sua boa sorte. O executivo, já naquele tempo, sabia que para ter água era preciso ter floresta. E determinou sua proteção intensiva em toda a extensão das 245 propriedades adquiridas; além da restauração florestal, onde fosse necessária.

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Publicado em 09/11/2016


 
 
 
 
 
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