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Cientistas estimulam campanha na Copa para a conservação do tatu-bola

O recado é dado para a FIFA, organizadora do torneio, e para o Governo Federal

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O pequeno tatu-bola (Tolypeutes tricinctus), que só é encontrado nas regiões de caatinga e do cerrado, ficou em evidência, nos últimos tempos, ao ser eleito mascote “Fuleco” da Copa do Mundo da FIFA 2014. Só que a vida desse mamífero, que se fecha em sua carapuça em formato de bola para se defender, não está gozando de tanto glamour conforme aparenta o status conquistado. A espécie é classificada como vulnerável na lista do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A situação motivou cientistas brasileiros a propor para a FIFA e ao governo brasileiro, que para cada gol marcado na competição sejam protegidos mil hectares da caatinga.

A iniciativa partiu dos pesquisadores das Universidades Federais de Pernambuco (UFPE), do Vale do São Francisco (Univasf), da Paraíba (UFPB), do ICMBio e da Universidad Autônoma do México.

Segundo Felipe Pimentel Lopes de Melo, da UFPE, um dos autores do artigo Football and Biodiversity Conservation: FIFA and Brazil Can Still Hit a Green Goal, no jornal científico Biotropica – de Biologia e Conservação Tropical, as reivindicações são divididas em três partes: expandir o sistema de parques e reservas na caatinga;  honrar os investimentos prometidos para os “Parques da Copa”; e acelerar a publicação do plano de ação para a conservação do tatu-bola, que segundo o ICMBio, deverá ser concluído até o final deste ano.##imagem4055##

O pesquisador José Alves Siqueira, da Univasf, reforça que mais de 397 mil km2 dos 844.453 km2 da caatinga já foram comprometidos pelo desmatamento e pela agricultura e o bioma possui menos de 2% de sua área original em unidades de conservação integral.

A Organização Não-Governamental (ONG) cearense Associação Caatinga lançou também em 2012, o Projeto Tatu-Bola, marcando um gol pela sustentabilidade. O objetivo, de acordo com a entidade, é realizar um levantamento para atualização das áreas de ocorrência da espécie nos biomas caatinga e cerrado dos estados do Ceará e Piauí até a criação de um fundo de conservação. O trabalho é feito em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) e a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

A espécie tem características únicas, como de cinco unhas nas patas anteriores. De acordo com o ICMBio, nos períodos de acasalamento, um dos comportamentos observados é do macho acompanhar a mesma fêmea, o que os tornam mais suscetíveis a capturas. E a cada gestação nasce predominantemente somente um filhote. O seu quadro de vulnerabilidade aumenta por causa do desmatamento, da caça e de pastoreios excessivos.


Publicado em 08/05/2014


 
 
 
 
 
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